CÓDIGO CIVIL
Lei Nº 10.406, de 10 de Janeiro de 2002.
Artigo 1307
Qualquer dos confinantes pode altear a parede divisória, se necessário reconstruindo-a, para suportar o alteamento; arcará com todas as despesas, inclusive de conservação, ou com metade, se o vizinho adquirir meação também na parte aumentada.

 
 
 
Resumo Jurídico

A Extinção das Obrigações e a Consolidação da Dívida

O artigo 1307 do Código Civil aborda uma situação específica dentro do universo das obrigações: a consolidação da dívida. Em termos simples, ele trata de como uma dívida pode ser extinta quando o credor e o devedor da mesma obrigação se tornam a mesma pessoa.

O Que Significa Consolidação da Dívida?

Imagine que você deve dinheiro a alguém (você é o devedor) e essa mesma pessoa, por algum motivo, agora lhe deve dinheiro (ela é a credora). Ou seja, a mesma pessoa se encontra nas duas posições da relação obrigacional. Nesse cenário, o artigo 1307 estabelece que a obrigação se extingue pela confusão.

Confusão: O Fim da Obrigação pela Mesma Pessoa

A confusão, no âmbito jurídico, ocorre quando se reúnem na mesma pessoa as qualidades de credor e devedor de uma mesma dívida. Quando isso acontece, não faz sentido jurídico manter a obrigação existente, pois não se pode dever a si mesmo.

Principais Pontos do Artigo:

  • Extinção Automática: A confusão opera de forma automática, extinguindo a obrigação imediatamente a partir do momento em que as qualidades de credor e devedor se reúnem na mesma pessoa.
  • Não é Necessário um Ato Formal: Não é preciso uma declaração expressa ou um acordo entre as partes para que a confusão ocorra e a dívida seja extinta. A lei a reconhece como um fato jurídico que produz efeitos.
  • Exemplo Prático: Se João deve R$ 1.000,00 a Maria, e posteriormente Maria se torna devedora de João na mesma quantia (R$ 1.000,00), a obrigação entre eles se extingue pela confusão. João deixa de dever R$ 1.000,00 para Maria, e Maria deixa de dever R$ 1.000,00 para João. O resultado líquido é a extinção de ambas as dívidas.

Importância do Artigo:

Este artigo é fundamental para a segurança jurídica. Ao extinguir obrigações desnecessárias ou impossíveis de serem cumpridas (pois a mesma pessoa não pode ser credora e devedora de si mesma), ele evita ambiguidades e simplifica as relações obrigacionais. Garante que as pessoas não fiquem presas a obrigações que, na prática, já não existem mais.